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quarta-feira, 3 de julho de 2013

P o e t i n g a www a r t e

                " o verso... antes de arte escrita foi uma arte oral: o verso nos  lembra que inicialmente foi um canto” - Jorge Luis Borges

Ronald Augusto ilustrou sua oficina Poesia e forma: linguagem carregada de significado (dias 27 e 28 de Junho/13, na Biblioteca da Restinga) com os estranhos versos de Jorge Ben Jor:
“Alô, Alô W o Brasil Alô, Alô W o Brasil.. .E o que é que deu? Funk na cabeça E o que é que deu? Funk na cabeça...”, da música W Brasil Chama o Síndico.
Perfeito. Signos (palavras) vazios não dizem nada, quando apartados da sua musicalidade verbal. Três esferas significativas para um mesmo significante estético é que formam o texto poético: a música verbal, a coreografia do intelecto e o sentido metafórico da imaginação.
Ademais, a oficina propunha-se justamente investigar as formas pelas quais o autor pode alcançar, ao nível do texto, essa linguagem plena de significados.

Olha só a letra musical feita pelos participantes da oficina:
Choro toda noite
Pensando em você
Deitado na cama
Sem nada fazer

Eu ligo a tevê
Eu durmo sozinho
Eu pego no sono
Bem no escurinho
[autores: Fran, Natália, Matheus, Cleiton, Manuela, Cassiano, Igor e Brenda]
E o que dizer destes dois poemas, compostos cada um por um grupo de oficinandos?
1
A arte é uma festa
Toda alegria se manifesta
O resto não te interessa
Porque a gente não tem pressa
E a gente é louco à beça
[poema de Fran, Natália, Matheus e Cleiton]
2
Ama a quem te ama
Não a quem te sorri
Pois quem te sorri te engana
E quem te ama sofre por ti
Aquele que não te ama
Quer te ver sofrer
[poema de Manuela, Cassiano, Igor e Brenda]

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Poesia e forma: linguagem carregada de significado

 A linguagem encarece a função poética quando valoriza o texto na sua elaboração e materialidade, ou seja, quando o autor trabalha o arranjo de palavras, figuras de linguagem (metáfora, antítese, hipérbole, aliteração), fazendo uma exploração tanto dos sentidos (sinestesia), quanto dos significados. Nesse tipo de função o que está em causa é o aspecto estético da linguagem.
 A partir do conceito de que literatura é a linguagem carregada de significado até o maior grau possível, a oficina pretende investigar as formas pelas quais o autor pode alcançar, ao nível do texto, essa linguagem plena de significados.
No corpo do texto entrelaçam-se três níveis de informação estética, a saber: (a) melopeia – música verbal, (b) logopeia – coreografia do intelecto, e (c) fanopeia – metáfora e imagem.
 Através de leituras compartilhadas de textos poéticos tanto de autores consagrados, como dos próprios participantes esses conceitos e técnicas serão aplicados na perspectiva de uma progressiva consciência de linguagem dos participantes.

Primeiro encontro
Apresentação e exemplos da aplicação da função estética da linguagem: poemas, filmes, narrativas em prosa.
 Segundo encontro
Realização de textos, exercícios, experimentos de linguagem e, tendo por base os conceitos apresentados, troca de comentários sobre os resultados.

 
Ronald Augusto é poeta, músico, letrista e crítico de poesia. É autor de, entre outros, Homem ao Rubro (1983), Puya (1987), Kânhamo (1987), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004), No Assoalho Duro (2007), Cair de Costas (2012) e Decupagens Assim (2012). Dá expediente no blog www.poesia-pau.blgspot.com e é diretor associado do website WWW.sibila.com.br